segunda-feira, 20 de junho de 2016

Síndrome “Man-in-the-barrel”

O termo “Man-in-the-barrel”, ou “homem no barril”, foi utilizado pela primeira vez em 1983 por Sage(1). No entanto, em 1969, Mohr já introduzia a síndrome como “distal field infarction” para descrever a sua forma mais comum(2). Caracteriza-se por diplegia braquial predominantemente proximal e função motora preservada dos membros inferiores e da musculatura facial. Tal condição dá o aspecto de estar confinado dentro de um barril(3-4).
É mais comumente observada em pacientes com hipoperfusão cerebral, em que há isquemia bilateral nas zonas de borda entre as artérias cerebrais anterior e média, pois corresponde à áreas particularmente sensíveis à redução do fluxo cerebral por estarem irrigadas pelas anastomoses terminais de arteríolas derivadas dessas artérias(3). Esta área corresponde ao homúnculo motor do segmento proximal dos membros superiores. Portanto, isquemia bilateral desta zona explica paralisia braquial proximal bilateral(4). No entanto, são variados os casos clínicos reportados, tendo sido descrita como secundária a múltiplas metástases bilaterais no cérebro, contusão hemorrágica, lesões de esclerose múltipla, meningite pneumocócica, lesões bilaterais do plexo braquial, doenças desmielinizantes, mielinólise pontina central, radiação, espondilose e infarto medular cervical. Geralmente, são casos isolados, devido à raridade da apresentação clínica. Rotina clínica e dados laboratoriais diferenciam tais etiologias(3-5). Exame físico do paciente suspeito é essencial na caracterização primária da síndrome. Pode-se verificar diminuição da força, predominantemente proximal, além de hipo ou arreflexia nos membros superiores. À vista de um caso crônico, evidencia-se hipotrofia ou atrofia dos músculos proximais dos membros superiores. No seguimento da investigação causal, exames de imagem como ressonância magnética e tomografia computadorizada do crânio e cervical têm papel importante e podem evidenciar lesões vasculares e tumores. Arteriografia dos vasos supracervicais permite observação de dissecção e obstrução destes, o que poderá determinar isquemia. Outros estudos laboratoriais, como teste de hipercoagulabilidade, análise do líquor, raios x de tórax, ECG e ecocardiograma, ajudam no diagnóstico diferencial da síndrome. Eletroneuromiografia dos membros superiores pode evidenciar comprometimento.
Os primeiros poucos casos reportados foram associados com um mau prognóstico devido ao dano cerebral extenso, com mortalidade alta. No entanto, casos por condições extracerebrais têm menor mortalidade e um prognóstico mais favorável(3). Em um estudo clínico prospectivo, 11 de 34 pacientes comatosos que tiveram um episódio severo de hipotensão sistêmica apresentaram a síndrome, e apenas 1 destes sobreviveu. Isto indica o prognóstico ruim da “man-in-the-barrel” nestas condições(6).
Abaixo, segue um vídeo publicado pelo Neurology de um paciente apresentando a síndrome “man-in-the-barrel” devido a um infarto da artéria espinal anterior, causa raramente relatada na literatura: https://www.youtube.com/watch?v=ZIAIorIKgd4

                                                

http://cp.neurology.org/content/4/3/268.extract


Referências
  1. Sage JL. Man-in-the-barrel syndrome after cerebral hypoperfusion: clinical description, incidence, and prognosis. Ann Neurol. 1983;14:131.
  2.  Mohr JP. Distal field infarction. Neurology. 1969;19:279
  3.  José M, Antelo G, Facal TL, Sánchez TP, López MS, Nazabal ER. Man-In-The-Barrel . A Case of Cervical Spinal Cord Infarction and Review of the Literature. 2013;7–10.
  4.  Orsini M, Catharino AMS, Catharino FMC, Mello MP, Freitas MR, Leite MAA et al . Man-in-the-barrel syndrome, a symmetrical proximal brachial amyotrophic diplegia related to motor neuron diseases: a survey of nine cases. Rev. Assoc. Med. Bras. 2009;  55( 6 ): 712-715.
  5. Berg D, Miillges W, Koltzenburg M, Bendszus M, Man-in-the- RK. Man-in-the-barrel syndrome caused bv cervical spinal cord infarction. 1998;417–9.
  6. SAGE JI, VAN UITERT RL. Man-in-the-barrel syndrome. Neurology 1986: 36: 1102-3.



Cibelle Ingrid Estevão de Melo
Acadêmica de Medicina da UFPB
Vice-presidente da LANN

domingo, 5 de junho de 2016

Período 2015.2 da LANN

A Liga Acadêmica de Neurologia e Neurocirurgia da UFPB (LANN), se contenta em terminar sua participação no último semestre com a sensação de dever cumprido e vontade de fazer ainda mais nos próximos meses!

Seguem abaixo algumas das atividades desenvolvidas pela LANN no período 2015.2:

 Pôster da LANN na 1º Mostra de Ligas Acadêmicas do CCM

Participação na 1º Mostra dos membros Cibelle, Teles e Rayane

Participação de Rayane na Discussão da 1º Mostra 

Recebemos o Dr. Emerson Magno na Aula Inaugural do período!

 Recebemos o Dr. Christian Diniz para falar de Diagnóstico Diferencial

O Dr. Nêuton Magalhães palestrou sobre o uso da imaginologia na área da neuro! 

Nosso orientador, Dr. Maurus, palestrou sobre o Exame Neurológico e a Siringomielia

Na prova de seleção para novos membros da liga e para o estágio organizado por esta 

Os membros selecionados para a LANN! Já são muito queridos! 

Os estudantes selecionados para o Estágio Extracurricular organizado pela LANN! No total, 30 estudantes têm a oportunidade de estagiar com neurologistas e neurocirurgiões de João Pessoa em diversos campos práticos! É a LANN revolucionando a cidade!

 A LANN também participa dos encontros mensais dos neurologistas. Neste dia, a reunião foi na NOVA Diagnóstica e tivemos discussão de três casos clínicos apresentados por Dra Juliana Magalhães, Dra Bruna Nadiely e Dra. Vanessa Barreto. Momentos de conhecer e de muito engrandecimento!

No dia 5 de maio de 2016, recebemos nosso Neurologista Colaborador no estágio, Dr. Rafael Andrade, que nos ensinou sobre o Raciocínio Diagnóstico nas Síndromes Neurológicas!

Também pudemos ajudar ações sociais. Visitamos a ASPAN e levamos os materiais arrecadados!

O grande evento da LANN foi a realização do I Curso de Psicofármacos! Mais de 250 participantes e palestrantes nos prestigiaram!

 Abertura do evento!

Cibelle (vice-presidente), Professora Desterro (homenageada pela LANN), Rayane (presidente) e Professora Bagnólia na abertura do I Curso de Psicofármacos da LANN!

Comissão organizadora! 

I Minicurso de Neurotrauma da LANN ministrado pelos residentes em neurocirurgia na USP e USP-RP: Dr. Thiago Martins e Dr. Gustavo Porto 

Finalizando as atividades do semestre, fechamos com chave de ouro: presença do querido Dr. Djalma Felipe, fundador e primeiro presidente da LANN, para a aula de Hemorragia Subaracnoidea Aneurismática!

Esperamos todos no próximo período!


domingo, 29 de março de 2015

Lesão da Artéria Vertebral nos Traumas de Coluna Cervical

A artéria vertebral origina-se da primeira porção da artéria subclávia, de cada lado. Ascende o pescoço entre o músculo escaleno e os músculos longos do pescoço e da cabeça, posteriormente, a artéria vertebral segue nos planos profundos e atravessa os forames transversários das vértebras de C6 a C1. Segue em um sulco no arco posterior do atlas, entrando na cavidade craniana através do forame magno. Na margem inferior da ponte, as artérias vertebrais unem-se e formam a artéria basilar.


Figura 1: artéria vertebral e seu trajeto.

Figura 2: trajeto da artéria vertebral marcado em imagem de RNM.


Figura 3: C3 – artérias vertebrais direita e esquerda nos forames transversários (setas) em imagem de TC.

Variações anatômicas no percurso da artéria vertebral são raras. Entretanto em uma pequena parte da população, a artéria vertebral inicia seu trajeto dentro dos forames transversários a partir de C7. Kajimoto et al (2007), encontrou esta variação em 7,5%, em um estudo anatômico da artéria vertebral, o que vai de acordo com outros dados disponíveis na literatura.
Devido à pequena variação no trajeto da artéria vertebral, podemos considerar que, apenas fraturas que venham a acometer as vértebras de C1 a C6 apresentam um risco em potencial de lesar a artéria vertebral. Nas fraturas ao nível de C7, na maioria dos casos, não há risco de lesão da artéria vertebral.


Referências:

MOORE, K. L., DALLEY, A. F., AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010, 1104 p.

KAJIMOTO, B. H. J. et al. Estudo anatômico do trajeto da artéria vertebral na
coluna cervical inferior humana. Acta ortop Bras. São Paulo, v.15, n.02, p.84-86, set. 2007.

SOUSA, C. M. V. et al. Artrodese cervical C1-C2 pelas técnicas de Harms e Margerl. COLUNA/COLUMNA. Porto, Portugal, v.09, n.03, p.287-292, jun. 2010.

BRAGA, S. F. et al. Variações anatômicas das artérias vertebrais. [S.l.]: Angiol Cir Vasc. v. 09, p.70-71, 2013. il.  

Feldman, A. Artéria vertebral e seu trajeto (il). Disponível em: <http://www.enxaqueca.com.br/blog/disseccao-arteria-vertebral/ >. Acesso em: 18 de out. 2014.

Por: Thiago Sipriano
Acadêmico do 8º período de Medicina UFPB
Membro da LANN

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO: CIRURGIA DE PARKINSON, EPILEPSIA E DOR

A LANN convida toda a comunidade acadêmica para sua próxima atividade.
Tema: DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO: CIRURGIA DE PARKINSON, EPILEPSIA E DOR
Palestrante: Dr. RODRIGO MARMO (Neurocirurgião)
Contamos com a presença de todos!


sábado, 4 de outubro de 2014

A LANN UFPB durante o VII Congresso Paraibano dos Estudantes de Medicina


O 7º Congresso Paraibano dos Estudantes de Medicina (VII CPEM) ocorreu na UFPB nos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2014, com o tema: Perspectivas para a medicina no Brasil: clínica, ciência e política.

A LANN promoveu dois miniursos:

Curso Teórico Prático de Líquor e Punção Lombar - ministrado pelo Professor Dr. Maurus Marques de Almeida Holanda - Médico Neurocirurgião e Professor Adjunto da UFPB. 

Curso de Neurointensivismo - ministrado pelo Dr. Gustavo Cartaxo Patriota - Médico Neurocirurgião e Neurointensivista, Doutorando em medicina pela FMUSP e coordenador do Departamento do Neurointensivismo da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. 

Da direita para esquerda: Thiago Sipriano (membro da LANN), Dr. Gustavo Patriota (Neurocirurgião e Neurointensivista), Rayane Souza (vice-presidente da LANN), Camila Formiga (presidente da LANN), Allefy Albano (membro da LANN), durante o minicurso de Neurointensivismo.

Dr. Gustavo Patriota explicando os aspectos tomográficos das principais neuroemergências e o emprego da escala ASPECS.


Participantes do minicurso de Neurointensivismo com o Dr. Gustavo Patriota ao fim do minicurso.

Por: Thiago Sipriano
Acadêmico do 7º período de Medicina UFPB
Membro da LANN





sexta-feira, 3 de outubro de 2014

NIHSS: National Institute of Health Stroke Scale

Figura: Infarto isquêmico recente do hemisfério direito.

                                             .
A escala do NIH é um instrumento de uso sistemático utilizado para uma avaliação quantitativa do déficit neurológico relacionado com o acidente vascular encefálico (AVC). É utilizada, atualmente, para documentar e monitorar o estado neurológico do paciente, prever a extensão e a gravidade do AVC, além de representar uma ferramenta importante para determinação do prognóstico e do tratamento adequado do paciente, e garante uma linguagem universal para troca de informações entre os profissionais de saúde.

A NIHSS é uma escala composta por 11 categorias, com 15 itens do exame neurológico a serem avaliados pelo examinador no paciente com AVC. Os 15 itens da escala NIHSS avaliam o efeito do AVC agudo e, são os seguintes:

1a. Nível de consciência; 1b. Questões; 1c. Ordens.
2. Melhor olhar conjugado.
3. Campos visuais.
4. Paralisia facial.
5a. Motricidade do membro superior esquerdo; 5b. Motricidade do membro superior direito.
6a. Motricidade do membro inferior esquerdo; 6b. Motricidade do membro inferior direito.
7. Ataxia de membros.
8. Sensibilidade.
9. Melhor linguagem.
10. Disartria.
11. Extinção e Desatenção.

O examinador deve classificar a capacidade do paciente para responder a questões e efetuar manobras. Cada item pode ser classificado em 3 a 5 graus, havendo em alguns itens a possibilidade do mesmo ser não testável (NT), porém apenas em casos específicos que devem ser devidamente justificados.

O NIHSS disponibiliza em seu endereço virtual um ambiente de treinamento para os iniciantes na utilização da escala, com certificação gratuita. Há uma versão em português, com três níveis de certificação (A, B e C), além da área de instruções e treinamento. O site oficial do NIHSS disponibiliza além da área de instruções e treinamento, oito níveis de certificação (A, B, C, D, E, F, G, H). Cada nível de certificação contém seis pacientes, onde o examinador realiza cada item da escala NIHSS, devendo o aprendiz indicar o grau corretamente. O treinamento é simples e didático, e constitui uma importante ferramenta para o emprego correto da escala.

A avaliação completa de um paciente, por um examinador treinado, despende menos que 10 minutos. A validade da escala na determinação da gravidade do AVC está diretamente relacionada com a capacidade do examinador de avaliar o paciente de forma precisa e consistente.

A escala NIHSS foi desenvolvida para ser um instrumento simples, válido e confiável, que pode ser aplicado à beira do leito do paciente de forma consistente por médicos, enfermeiros e terapeutas. 

Referências:

1- NIH Stroke Scale (NIHSS), 2014. Disponível em: <http://www.nihstrokescale.org>. Acesso em: 03 de dez. 2014.

2- PINTO, F. C. G. Manual de Inciação em Neurocirurgia. 2. ed., São Paulo: Santos Editora, 2012.

3- Site didático de Anatomia Patológica, Neuropatologia e Neuroimagem.

Infartos Cerebrais Isquêmicos, 2014. Disponível em:

<http://anatpat.unicamp.br/radinfisq4.html>. Acesso em: 03 de dez. 2014. 



               Por: Thiago Sipriano
     Acadêmico do 7º período de Medicina UFPB
                       Membro da LANN